8 de fevereiro de 2011

COMO MODIFICAR O (MAU) COMPORTAMENTO NAS CRIANÇAS

Cada criança é um mundo e não existem estratégias universais eficazes para todas. O que funciona em um caso pode não ser eficaz em outro. Mesmo assim, há uma série de princípios que se utilizados com a suficiente habilidade podem ajudar a estabelecer, modificar ou eliminar alguns comportamentos nas crianças. Estes são:


1-OS LIMITES: São fundamentais. Todo pai deve colocar limites às demandas dos filhos. Se os limites não forem estabelecidos nos primeiros anos de vida, será bem mais difícil estabelecê-los depois. Explique ao seu filho o seu ponto de vista tranquilamente e com uma linguagem adequada à idade da criança. Não utilize o tom imperativo nem os gritos. Faça-lhe saber que você está triste e desgostado com o comportamento dele (ou dela), que está decepcionado, mas mantenha-se firme em sua posição. É necessário estabelecer, desde a primeira infância, hábitos adequados no que se refere a alimentação, ritmo de sonho, higiene, etc... São os próprios pais os que têm de marcar seus próprios limites e normas em função da idade da criança e seus valores educativos. Pôr limites não deve ser um trabalho coercitivo, mas sim um jogo de equilíbrios, no qual a criança aprenderá o sentido de dar e receber, ao mesmo tempo em que vai interiorizando uma série de pautas e valores que lhe servirão como referentes no futuro.

2-CLAREZA: Seja claro quando der as instruções. Se queremos estabelecer limites, a criança deve saber exatamente que estamos pedindo a ela.

Se dissermos ao nosso filho ou filha: “Comporte-se bem” ou “Pare de amolar!” isto pode supor diferentes coisas em diferentes situações. É mais eficaz concretizarmos a demanda em uma situação concreta. Por exemplo, em uma situação de passeio pela rua diremos: "Não atravesse até o sinal mudar", em casa durante uma brincadeira: "Não quero que atire os brinquedos na sua irmã".

3-ATENÇÃO: Dê atenção ao seu filho (a) quando ele realizar as condutas desejadas. Caso retire por um tempo a atenção dispensada a ele (a). O elogio verbal e sincero funciona muito bem como apoio de outros reforços. Em caso de aparecimento de uma conduta inapropriada (gritos, birras, pirraças...) retire a atenção ou use técnica do Tempo Fora. Um prêmio não esperado e contingente à realização de alguma conduta desejada aumenta a probabilidade de que o comportamento se repita. Você pode estabelecer também prêmios e consequências contingentes aos diferentes tipos de comportamento.

4-PARTICIPAÇÃO: Quando se estabelecem limites ou regras, estes devem ser respeitados por todos os membros da família. Pais, irmãos ou avôs devem atuar de igual modo diante do mal comportamento das crianças. Se só o pai ou a mãe exige certos requisitos, o avanço torna-se complicado senão impossível.

5-MINIMIZAR: Quando dê instruções à criança minimize o NÃO. É mais efetivo o dizer-lhes o que devem fazer do que o que não devem fazer. Por exemplo, é melhor dizer: "Fale mais baixo” do que "Não grite!". A primeira será vivenciada como uma sugestão e a segunda como uma imposição.

Devemos sempre desaprovar o comportamento indesejável (morder, desobedecer, gritar) nunca a criança (você é um desastre, é muito mau, é chato...).

6-ESCOLHAS: Deixe o seu filho escolher. Podemos minimizar a probabilidade de desobediência se proporcionamos à criança várias opções para que ela escolha. Por exemplo, em lugar de dizer: "Junte todos os brinquedos", podemos dizer: "Você deve guardar os brinquedos que estão espalhados pelo chão, você pode escolher dois ou três para continuar brincando agora, mas o resto deve ser guardado. Quais você vai escolher? Você lembra ao seu filho que a responsabilidade de guardar os brinquedos é dele, mas, ao mesmo tempo, ele terá certa sensação de controle sobre a situação e tolerará melhor a demanda do adulto. Uma vez estabelecido o hábito de recolher e guardar os brinquedos provavelmente ele o faça sem demasiadas queixas e sem ajuda.

7-EXPLICAÇÃO: Acompanhe a demanda com uma explicação. Se dermos uma explicação a uma instrução dada podemos ajudar a que interiorizem valores de conduta. Por exemplo, podemos dizer-lhe: "Se você bater em seus amiguinhos, eles vão ficar tristes e não vão mais brincar com você". Ele deve entender que a nossa demanda não é por capricho, senão por que o comportamento dele tem efeitos desagradáveis nas pessoas e que isto traz consequências.

8-ALTERNATIVA: Quando tivermos que dizer NÃO, poderemos minimizar o efeito negativo com uma alternativa: "Você NÃO vai comer chocolate antes do jantar, mas se comer certinho toda a comida a mamãe vai fazer aquela sobremesa de que tanto gosta".

9-FLEXIBILIDADE: Devemos criar limites e regras, mas ao mesmo tempo devemos aprender a ser flexíveis em algumas situações especiais. As crianças crescem e os problemas e suas circunstâncias mudam. Devemos estar abertos para revisar e modificar o sistema de contingencias quando seja necessário. Uma rigidez extrema na configuração do sistema e suas regras é o melhor convite para que a criança não os cumpra.

10-COERÊNCIA: Deve haver coerência entre o que exigimos das crianças e o que elas observam em seu meio mais imediato. Não podemos pedir obediência e respeito a uma criança que vive em um meio de menosprezo ou maltrato familiar.

11-CONTROLE: Controle suas emoções quando o problema estourar. Quando seu filho repetir o comportamento que não desejava, quando receber uma ligação do colégio, quando tudo parece afundar...tome-se um tempo antes de responder e se descontrolar. É fundamental o controle das nossas emoções. Nosso objetivo é educar a criança. Se formos demasiado emocionais não estamos em condições de oferecer o melhor modelo de nós mesmos. Proporcione-se um tempo de respiro, retire a atenção da criança conforme as circunstâncias lhe permitam, faça seu filho saber imediatamente seu desgosto e depois em frio analise a situação e tome as decisões oportunas. Não aja “em quente”. Nem você nem seu filho estão então nas melhore condições.

Não caia na armadilha de se envolver em um diálogo de recriminações com seu filho. É a melhor forma de acabar estabelecendo um tipo de relacionamento conflitivo e coercitivo que não vai levar a nenhum lugar. Isto não quer dizer que o mal comportamento não deva ter consequências para a criança. As consequências que devem ser pensadas “em frio”, porém aplicadas o antes possível para que sejam efetivas.

12-CONSTÂNCIA: É básico ser constante na aplicação de qualquer estratégia que queira modificar ou estabelecer comportamentos. Não se desanime se houver um fracasso. Muitas vezes ocorre que quando são aplicados limites ou regras pela primeira vez, se produz uma reação negativa. Isto é especialmente notável naqueles casos nos que a criança percebe que certos privilégios vão ser retirados. Isso pode provocar, de início, um aumento da frequência e magnitude dos episódios problemáticos que depois, na maioria de casos, diminuem e se corrigem.

11 comentários:

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  2. Boa noite
    gostaria muito de saber qual o metodo melhor para atender as necesidadas de um a criança hiperativa com deft de atnção qual o especialista mas apropriado para o tratamento além do neuropediatra.
    aguardo resposta!!!!

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  3. Olá, a avaliação da criança com THDA (Transtorno de hiperatividade com déficit de
    atenção)deve incluir uma avaliação médica
    clássica e uma avaliação psicológica.
    A avaliação médica deverá incluir
    a história pessoal e familiar, o exame
    físico e a avaliação de desenvolvimento,
    da visão e da audição. A avaliação psicológica deve orientar-se para os componentes do
    THDA, a atenção, a hiperatividade e os impulsos. O psicólogo também realizará uma história clínica e, eventualmente, questionários
    que permitam obter informação sobre o comportamento da criança. A abordagem terapêutica do THDA engloba duas vertentes igualmente importantes, o tratamento
    psico-social e o farmacológico.O THDA requer uma intervenção abrangente, em casa e na escola e a estrategia a ser estabelecida deve ser a longo prazo. A intervenção psicólógica e médica consistirá no esclarecimento e aconselhamento
    à criança, família e professores.
    O aconselhamento dos pais e educadores é fundamental. Estes devem assumir uma atitude positiva, tentando valorizar e reforçar os
    comportamentos adequados, evitando a crítica frequente e situações que levem ao insucesso da criança. É importante modificar as rotinas
    diárias, visando uma melhor adaptação às características comportamentais e da atenção da criança. Em casa devem ser estabelecidas
    normas de comportamento bem claras
    e definidas, evitar castigar excessivamente,
    fornecer espaço fisíco com poucos fatores de distração (brinquedos, janela, barulho de TV) na hora de fazer os deveres de casa, manter horários regrados (para refeições, para
    dormir, para os deveres, para TV)entre outros.
    Abraço, Mirian.

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  4. Meu filho tem 3 anos e tenho muitos problemas com ele, sou rigida com ele, talvez seja esse o problema, muito rigida... mas ele nao obedece, grita, eh agressivo e na ultima semana tive 3 reclamacoes da baba que ele tira a roupa e sai pelado pela casa atras das outras meninas que ela cuida. Tenho uma menina de 1 ano, e ele anda bem agressivo com ela tambem. As vezes me descontrolo e acabo gritando com ele ou dando umas palmadas, mas eh que as vezes me desespero... parece que tudo estou fazendo errado.... Aguardo um conselho, muito obrigado

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    1. Olá, pode me enviar o seu e-mail? Meu e-mail pessoal é mirianmarques@gmail.com Gostaria de ter um contato mais personalizado com você para responder às suas dúvidas. Obrigada!

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  5. Olá, meu filho tem 5 anos e apresenta um comportamento muito agressivo na escola, não atende aos comandos, atrasa as tarefas e, recebo reclamações frequentes da escola. Ele sofreu várias convulsões febris entre 1 e 2 anos, após este período não apresentou mais esse quadro. Isso pode ter influenciado? O que devo fazer? Onde pedir ajuda? Estou arrasada, não sei mais o que fazer.

    Preciso de uma resposta urgente

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    1. Olá Fausta. Seu filho passou por avaliação neurológica após as convulsões? Acompanhamento médico e psicológico são necessários e fundamentais para entender o problema e encontrar a melhor solução. Abraços!

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  6. ola. o meu "problema e´muito parecido com o ultimo que acabei de ler so que o meu filho tem 5 anos e tenho um bebe com 15 meses, posso falar consigo em privado para me dar umas dicas?? obrigada

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  7. Olá Miriam, parabéns pelo blog. Tenho um menino de seis anos muito danado , grita , dá trabalho na escola , difícil de obedecer regras . Você acha que umas visitas em um psicólogo poderia o ajudar nessas questões ? Já tentei várias coisas , coloco de castigo, tiro brinquedos , e as vezes dou umas palmadas . Mas confesso que já estou ficando preocupada com este tipo de comportamento dele! me passe uma orientação!!!

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  8. OLa! Meu filho tem o mal comportamento na escola, ele bate na professora, chama muitos palavrões e tem dificuldades em escrever, as vezes escreve de cabeça pr baixo ou do lado errado, se abussa facil com tudo, e não aceita um não como resposta. A três anos que estuda e esta repetindo o jardim II. Ele tem 5 anos, as vezes nós falamos com ele e ele não responde como se tivesse escutando mas não da atenção.

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  9. Bom dia! Gostaria de responder a todas as dúvidas aqui postadas porém algumas pessoas escreveram como anônimo e não consigo ter acesso ao endereço de e-mail. Meu e-mail pessoal é mirianmarques@gmail.com Aguardo o contato. Obrigada! Mirian

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